BuscaPé, líder em comparação de preços na América Latina
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terça-feira, 29 de abril de 2008

Livro mostra fotos de orangotango nadando

Especialistas acreditavam que símio era incapaz de pescar ou de nadar.

Um livro de fotografias a ser publicado no início de maio mostra imagens que surpreenderam a comunidade científica: nelas, orangotangos que habitam florestas equatoriais em Bornéu, na Indonésia, são vistos nadando e pescando.



Até recentemente, especialistas acreditavam que estes símios de braços longos, que compartilham 97% do seu DNA com os humanos, não eram capazes de nadar.

Mas a equipe de naturalistas e um fotógrafo por trás do lançamento capturou imagens dos orangotangos atravessando um rio a nado para colher frutos em uma reserva na ilha de Kaja, na parte sul de Bornéu, que pertence à Indonésia (o resto da ilha de Bornéu é dividido pela Malásia e pelo sultanato de Brunei).



domingo, 27 de abril de 2008

Conheça os alimentos que podem acabar desaparecendo do planeta

Exploração descontrolada coloca em risco atum, bacalhau e outros peixes nobres. Descaso com variedades tradicionais de plantas e animais também é ameaça.


Publicitários sem muita consciência ambiental poderiam muito bem criar placas com os dizeres "Coma antes que acabe" e distribuí-las pela seção de frutos do mar dos supermercados mundo afora. O humor negro seria justificado: peixes e assemelhados estão entre as principais fontes de alimento com risco de desaparecer da Terra, graças principalmente à coleta irresponsável.




Mas eles certamente não estão sozinhos. O perigo de sumir do mapa também ronda boa parte das variedades tradicionais de plantas e animais domésticos do mundo, bem como seus parentes mais próximos que ainda existem em estado selvagem. Há uma tendência preocupante de substituição dessa variabilidade por umas poucas raças e cultivares comerciais. Não é só o paladar, necessariamente menos diversificado, que perde com isso: as variantes tradicionais e silvestres guardam genes importantes para rusticidade, resistência a doenças e até produtividade. Seria burrice jogá-las fora -- mas é o que está acontecendo.

Redes gulosas

A julgar por um estudo recente, coordenado por Stephen R. Palumbi, da Universidade Stanford (EUA), a situação nunca esteve tão negra para quem gosta de um bom peixe. Se tudo continuar como está, calculam Palumbi e seus companheiros, nenhuma das espécies marinhas exploradas comercialmente hoje estará disponível para consumo humano em 2050.

Os cálculos dos pesquisadores sugerem que quase metade dessas espécies já perdeu 90% ou mais de sua população. Desde 1994, quando o mundo atingiu o pico de capturas pesqueiras, a quantidade de peixes efetivamente pescados só tem diminuído. E as principais vítimas são justamente os mais nobres, como o atum-azul e o bacalhau -- no caso do primeiro, a população total da espécie decaiu 92% desde os anos 1950.

O grande problema relacionado à pesca intensiva desses animais é o nicho ecológico que eles ocupam -- eles são todos grandes predadores de crescimento lento, o que aumenta em muito a dificuldade de manter suas populações. Em termos terrestres, comer bacalhau ou atum seria como criar leões para fazer hambúrguer -- os bichos teriam de comer carne de vacas, as quais, por sua vez, precisariam de pasto. É um processo extremamente ineficiente.

Foto: Reprodução

Anos atrás, o cientista belga Émile Frison lançou o alerta de que a banana-nanica poderia desaparecer do planeta se os parasitas que afetam a fruta, como o fungo sigatoka-negra, não fossem combatidos urgentemente com novas técnicas. A situação, embora exagerada pelo pesquisador, é realmente grave. A banana é basicamente um clone, o que significa baixa variedade genética e maior vulnerabilidade a doenças. Embora outras plantas e animais domésticos não sejam clones, riscos parecidos os aguardam, especialmente porque sua variabilidade genética tem encolhido graças ao domínio de poucas raças e variedades comerciais.

Esse processo pode acabar se revelando um péssimo negócio para o Brasil, afirma Arthur Mariante, líder do projeto de conservação e uso de recursos genéticos animais da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). "No caso das raças tradicionais de gado trazidas para o Brasil pelos portugueses e espanhóis, vamos perder 500 anos de seleção natural e adaptação às condições do nosso território", declarou Mariante ao G1.

Explica-se: embora os colonizadores não praticassem o melhoramento intensivo de raças, bichos como bovinos, ovinos e suínos, entre outros, assumiram características específicas para sobreviver nos ambientes das várias regiões do Brasil. Além de serem rústicas -- capazes de ganhar peso mesmo com alimentação não-reforçada e de resistir melhor a doenças --, as raças tradicionais também podem ser muito produtivas, diz o pesquisador da Embrapa.

Nicho de mercado

"A vaca curraleira [raça típica do Nordeste], por exemplo, produz um bezerro por ano, e isso durante décadas, enquanto raças européias ou os zebus precisam alternar", conta Mariante. "O caracu [bovino tradicional de São Paulo] muitas vezes bate outras raças em competições de ganho de peso."

"Essas raças certamente conseguiram achar um nicho ecológico aqui no Brasil. O que a gente precisa fazer agora é achar um nicho de mercado para elas", diz o pesquisador. Os produtores do Nordeste, por exemplo, costumam afirmar que poucas carnes se comparam, em sabor e maciez, à do gado curraleiro. O Brasil, embora seja um grande exportador de carne bovina, ainda fica atrás em termos de carne de alta qualidade, nicho que poderia ser suprido pelo curraleiro.

Foto: Arthur Mariante/Divulgação
Touro curraleiro: segundo produtores nordestinos, a maciez da carne é incomparável (Foto: Arthur Mariante/Divulgação)

Outra possível saída para as raças tradicionais de suínos do Brasil, muito usadas no passado para a produção de banha, seria direcioná-los para a fabricação de presuntos finos, como os feitos hoje na Espanha e em Portugal. "Os consumidores europeus estão cada vez mais preocupados com o bem-estar animal, dando valor às carnes produzidas com os animais soltos. Os nossos suínos agüentam muito bem esse tipo de criação, enquanto as raças estrangeiras não. É um caminho interessante para valorizar essas raças", diz Mariante.

Mandioca a perigo

Não há sinais de que a mandioca, um dos alimentos mais populares do Brasil, vá sumir das mesas. No entanto, levantamentos feitos pelo biólogo Nagib Nassar, da Universidade de Brasília (UnB), mostram que recursos genéticos importantes para a planta estão sendo perdidos.

Nassar estuda os centros de diversidade dos parentes selvagens da mandioca, localizados no cerrado do Centro-Oeste brasileiro. Ele visita a região desde os anos 1970 e diz que pelo menos três espécies podem ter se extinguido. A perda é importante porque as formas selvagens da planta são mais rústicas e possuem teor mais alto de proteínas, vantagens que poderiam ser trazidas para a mandioca doméstica por meio de cruzamentos ou engenharia genética.

Em maior ou menor grau, o problema acontece com os parentes selvagens de boa parte das plantas utilizadas comercialmente, como o milho e o trigo.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Astrônomo brasileiro flagra estágio inicial de formação de estrela gigante


Outro motivo para o meu sumiço foi por conta de um trabalho que eu precisava finalizar. Trata-se de um resultado bem bacana da minha pesquisa e já que estou sempre falando de resultados bacanas de outros colegas, por que não falar um pouco dos meus resultados?

Estive às voltas com alguns dados de uma região chamada W51 IRS2, que é uma subregião de W51, um grande complexo de formação de estrelas de nossa galáxia. O foco da minha pesquisa é estudar essas regiões de formação de estrelas, mais especificamente como as estrelas com muita massa se formam.

As estrelas com massa inferior a 8 vezes a massa do Sol têm seu mecanismo de formação já bem estabelecido ao longo dos anos. As que têm mais de 8 massas é que ainda não se sabe ao certo como se formam. E são essas que me interessam mais!

Essa imagem acima mostra pelo menos uns cinco objetos que são candidatos a estrelas de alta massa (como são chamadas essas estrelas com mais de 8 massas solares) em estágios ainda bem iniciais de formação. Todas estas estrelas brilhantes e amareladas pertencem a este berçário. A estrela esbranquiçada à direita está entre nós e o aglomerado, que deve estar a uns 20.000 anos luz de distância.

A gente já sabia que este aglomerado guardava algumas surpresas, na verdade, ainda estamos analisando os nossos dados e mais surpresas estão surgindo. Só que ela é uma região meio difícil de se observar — está distante e é bastante “apagada”, pois tem muita poeira. Para poder estudá-la tivemos de recorrer ao que temos de melhor no mundo: o telescópio Gemini Norte, que está no Havaí e um espectrógrafo de última geração. Tudo isso ainda com o auxílio de uma técnica revolucionária que compensa os efeitos que a atmosfera introduzem nas imagens. Isso meio que elimina estes efeitos, fazendo com que as imagens produzidas na superfície da Terra sejam até melhores que as produzidas pelo Hubble!

Essa técnica exige analisar uma estrela brilhante que esteja por perto do objeto estudado, mas no nosso caso não tínhamos esta possibilidade. O jeito então foi criar uma estrela! Neste caso, um laser bem potente é apontado na mesma direção do alvo. A uns 90 km de altura, existe uma camada de sódio proveniente da queima de meteoros na nossa atmosfera e a intenção deste laser é excitar um ponto desta camada que brilha como uma estrela. Essa estrela artificial é usada para estudar como a atmosfera borra as imagens naquele instante. Aí os computadores introduzem pequenas deformações no espelho do
telescópio para compensar os efeitos da atmosfera.

Essa imagem foi obtida dessa maneira, mas as surpresas vieram de outros dados.

Olhando no espectro desta estrela mais brilhante acima à direita, conhecida como W51d, nós encontramos evidências que esta seria uma estrela com muita massa, talvez umas 90 vezes a massas do Sol. A temperatura desta estrela deve ser por volta de 45.000 graus e tem uma luminosidade de quase 300.000 vezes a luminosidade do nosso Sol! Acontece que em um trabalho no começo deste ano, nós conseguimos mostrar que esta estrela estava em um estágio de evolução muito jovem, conhecido como uma região HII ultra compacta. Este é um estágio bem inicial da formação de estrelas de alta massa. A nossa descoberta representa o flagrante de uma das estrelas mais massivas conhecidas em um estágio tão jovem de evolução.

Outra descoberta importante é referente a esta mancha avermelhada no centro da imagem. Ela deve ser uma estrela também de grande massa se formando, mas em um estágio ainda anterior à W51d. Esta estrela, chamada de IRS2E está rodeada por um disco que transfere a matéria de um reservatório externo para a própria estrela, fazendo-a aumentar sua massa. Esse processo de formação nunca foi aceito sem sérias críticas e tem gente mesmo que não acredita nisso. Eu particularmente sempre achei que não só é possível, mas também necessário que as coisas se processem desta maneira. Agora esta aí uma prova!

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Medicamento chinês contaminado mata 81 pessoas nos Estados Unidos

Matéria-prima foi exportada para 11 países. Governo chinês nega acusação de maus procedimentos.



O FDA, orgão regulador de medicamentos e alimentos do governo norte-americano, conseguiu estabelecer a ligação entre a matéria-prima vinda da China e a as mortes causadas pelo remédio heparina, industrializado nos Estados Unidos.

Foram identificadas 12 fábricas chinesas que enviaram matéria-prima para heparina para 11 países diferentes, entre eles, Nova Zelândia, França, Alemanha, Itália e Japão. O material para a produção de heparina é obtido no processamento de intestinos de suínos que muitas vezes vêm de criações familiares, com práticas sanitárias não controladas.

Os embarques contaminados começaram em 2006 e os problemas clínicos atingiram o auge de novembro a fevereiro. Na Alemanha, um grupo de pacientes que estava em programas de diálise desenvolveu uma séria de complicações por causa da heparina contaminada.

As exportações de produtos manufaturados na China vêm sofrendo com a descoberta de produtos contaminados ou mesmo grosseiramente falsificados. De pasta de dentes a comida para animais de estimação, sem esquecermos os brinquedos pintados com tinta tóxica, a lista parece interminavél.

Os oficiais da vigilância sanitária visitaram fábricas na China e emitiram um alerta contra as práticas de produção chinesas, que não seguem os padrões ocidentais estabelecidos. Os tanques de mistura de matéria prima , por exemplo, não estavam adequadamente limpos.

O governo chinês reagiu negando as acusações, questionando o fato de que os problemas somente ocorreram nos Estados Unidos, apesar dos relatos vindo da Alemanha.

O problema dos medicamentos falsificados ou abaixo do padrão se tornou universal e levou a Organização Mundial de Saúde a criar em 2006 a primeira aliança global contra a falsificação de medicamentos, batizada de IMPACT, envolvendo os 193 estados membros da OMS.

As estimativas são de que 1% das vendas de medicamentos nos países desenvolvidos sejam de origem duvidosa; nos países em desenvolvimento essa proporção chega a 10%. O volume de recursos movimentado deve chegar a US$ 75 bilhões em 2010.

A estratégia da OMS para combater a falsificação de medicamentos é criar estruturas de comunicação e alertar para monitorar o tráfico dessas drogas e seus efeitos adversos. A ação individual começa no ato de não comprar medicamentos sem orientação médica ou de fontes desconhecidas.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Após suspeita de erro, físicos voltam a estudar a idade do Santo Sudário


Laboratórios investigam contaminação que poderia ter alterado idade da 'mortalha'. Livro que acaba de chegar ao Brasil defende origem 'fotográfica' da imagem.



A obsessão pela relíquia mais controversa da cristandade acaba de voltar aos laboratórios. Pesquisadores da Universidade de Oxford, no Reino Unido, e do Turin Shroud Center, nos Estados Unidos, estão investigando a possibilidade de uma contaminação rara no Santo Sudário, a mortalha de linho que supostamente teria envolvido o corpo de Jesus Cristo após sua morte na cruz. Se tal contaminação ocorreu mesmo, a idade do Sudário estimada pela datação com carbono-14 -- apenas uns 700 anos, indicando que o pano é uma fraude medieval -- estaria incorreta.

A nova bateria de testes é uma prova de como a imagem enigmática do Sudário continua fascinando cientistas e leigos, exatos 20 anos depois do suposto teste definitivo de sua autenticidade -- no qual a mortalha acabou não passando. E também mostra como é difícil um estudo objetivo do artefato: é quase impossível encontrar uma visão científica consensual sobre o pano, com acusações de má-fé feitas tanto por defensores quanto por detratores da relíquia

Caso se trate mesmo de uma falsificação, também não há uma explicação universalmente aceita de como ela teria sido criada. Um livro que acaba de chegar ao Brasil defende a tese de que se trata de uma espécie de fotografia primitiva, usando uma argumentação interessante, mas força a barra ao atribuir a obra a ninguém menos que o personagem favorito das teorias da conspiração, o gênio Leonardo da Vinci.

Carbono-14

O teste original da idade do Santo Sudário, hoje abrigado na Catedral de São João Batista em Turim (Itália), aparentemente seguiu à perfeição as exigências do método científico. Três grupos diferentes -- da Unidade de Acelerador de Radiocarbono de Oxford, da Universidade do Arizona (EUA) e do Instituto Federal de Tecnologia da Suíça -- receberam amostras da borda do pano, longe da imagem, e as submeteram à datação por carbono-14.

Nesse tipo de teste, estuda-se o desaparecimento gradual dessa forma radioativa e instável de carbono. O carbono-14 é absorvido por todos os seres vivos -- inclusive as plantas usadas para fazer o linho do Sudário -- durante seu metabolismo. Quando morrem, todos possuem uma proporção parecida de carbono-14 em suas moléculas, e essa proporção decai a uma taxa fixa ao longo do tempo. Com isso, a idade de qualquer amostra de matéria orgânica pode ser estimada.

Ora, os três laboratórios obtiveram resultado parecido: o pano teria sido tecido entre os anos 1260 e 1390, no final da Idade Média. No entanto, John Jackson, do Turin Shroud Center, propõe que o Sudário pode ter sido contaminado por monóxido de carbono (CO), uma molécula na qual o carbono-14 aparece em proporções anormalmente altas.

Possível, mas não provável

"Uma quantidade relativamente pequena de monóxido de carbono, equivalente a uns 2% do carbono no linho [do Sudário], seria o suficiente para alterar a idade da amostra em cerca de mil anos", declarou em comunicado oficial o diretor da Unidade de Acelerador de Radiocarbono de Oxford, Christopher Ramsay. "Estamos colaborando com a equipe de John Jackson para verificar as taxas de reação [do CO com o pano]."

Ramsay, no entanto, lembra que nenhuma amostra datada por carbono-14 até hoje apresentou esse tipo de problema, graças principalmente à pequena quantidade do monóxido de carbono na atmosfera. No entanto, Jackson aposta que o incêndio que quase destruiu o pano no século 16 poderia ter criado as condições necessárias para o suposto erro de datação.

domingo, 20 de abril de 2008

Conheça as drogas que podem estar presentes na sua cozinha


Banana e noz-moscada são alguns dos alimentos com efeito documentado sobre o cérebro. 'Uso dual' de comida é milenar; origem natural dos produtos não diminui seu perigo.


O burburinho começou na imprensa gringa e logo veio parar no Brasil: a inocente sálvia, que tempera pratos de macarrão desde que o mundo é mundo, seria a “nova maconha”. Inspirando-se no uso tradicional da planta entre tribos do México, jovens americanos estão fumando ou mascando a erva em busca de uma suposta sensação de paz, conexão espiritual e produção descontrolada de gargalhadas. Com as notícias a respeito, surgiram propostas para proibir a comercialização da planta nos Estados Unidos. Calma: nada disso é motivo para abolir a comida italiana do cardápio. A sálvia de que estamos falando tem o nome científico Salvia divinorum e é apenas uma prima da Salvia officinalis, essa sim encontrada em qualquer cantina. O que não quer dizer que vegetais normalmente usados como comida não tenham propriedades um tanto esquisitas, digamos. Por sorte, é muito difícil ficar doidão simplesmente ingerindo esses alimentos, embora formas mais específicas de uso possam equivaler aos efeitos de drogas mais “tradicionais”.

sábado, 19 de abril de 2008

Fêmea de camundongo reconhece macho meia-boca pelo cheiro, diz estudo

Roedoras usam proteínas da urina para identificar parceiros com pouca variação genética. Variabilidade no DNA é característica-chave para garantir prole saudável, segundo teoria.


Os seres humanos apanharam um bocado para aprender a "ler" o DNA dos seres vivos, mas as fêmeas de camundongo parecem ter dominado facilmente os rudimentos da prática -- com o melhor dos motivos, claro: sexo. Pesquisadores britânicos descobriram que as roedoras conseguem detectar, só com o cheiro, os machos que têm variabilidade genética mais baixa, e tendem a ficar longe deles.




Para ser mais exato, as fêmeas são capazes de detectar a variação no DNA correspondente a uma substância na urina dos parceiros, o que já é suficiente para estimarem a variabilidade no resto do genoma dos machos. É a primeira vez que essa capacidade de "análise genômica" direta é descoberta numa espécie animal.

Por que diabos as roedoras estariam interessadas em análise de DNA? Certamente não é que elas estejam interessadas em pedir pensão para os machos irresponsáveis. É que a variabilidade genética dá mais opções ao organismo de um animal na era de enfrentar doenças e outras variações ambientais. Bichos geneticamente muito homogêneos tendem a ser mais frágeis a esses fatores e, de quebra, produzem filhotes que acumulam genes nocivos em seu DNA.

Incerteza derrubada

Até hoje, não se sabia se a detecção da variabilidade genética era apenas indireta, ou seja, as fêmeas observavam os machos mais vigorosos e deduziam quais eram os mais diversos geneticamente com base nessa característica. Para tirar a prova, Michael D. Thom e seus colegas da Universidade de Liverpool e da Universidade de Manchester criaram camundongos cuja única variabilidade significativa estava nos genes que contêm a receita para a produção das chamadas MUPs (sigla de "proteínas urinárias principais"). Como diz o nome, tais proteínas estão presente na urina e são facilmente detectadas pelo olfato dos bichos.

Alguns machos tinham genes homogêneos para a produção de MUPs (seu organismo só fabricava um tipo dessas proteínas), enquanto outros tinham cópias variadas desses genes oriundas do pai e da mãe, produzindo dois tipos diferentes de MUPs. O teste foi simples: ver com que tipo de macho as fêmeas preferiam interagir.

O resultado foi claro: as fêmeas passavam muito mais tempo no território dos machos de DNA "diversificado". Embora o acasalamento não tenha sido medido diretamente, os pesquisadores acham que se trata de um sinal claro da preferência das fêmeas por eles.

Simulador faz médicos sentirem na pele os sintomas da esclerose múltipla


Projeto de companhia farmacêutica visa criar empatia entre neurologistas e pacientes. Simulação está percorrendo os Estados Unidos e qualquer pessoa pode participar.



Você quer ir para frente, mas sua perna não obedece. Quer levantar uma xícara, mas algo parece que a puxa para baixo. Tenta pagar a conta, mas não consegue enxergar quais as notas que estão nas suas mãos. Seus dedos formigam, sua temperatura sobe, tudo parece fora de controle. Esses são os sintomas da esclerose múltipla (EM), que até agora eram conhecidos em primeira mão apenas pelos portadores da doença. Até agora, porque uma companhia farmacêutica criou um simulador da enfermidade. O objetivo? Fazer médicos e familiares entenderem exatamente o que sofre um paciente com esclerose múltipla durante uma crise. A experiência é estranha, mas reveladora. Uma coisa é conhecer a listagem de sintomas da esclerose múltipla – outra, bem diferente, é senti-la na pele. “Definitivamente é algo que cria uma empatia, que é essencial na relação entre médicos e pacientes”, afirmou o neurologista brasileiro Alessandro Finkelszten, do Hospital das Clínicas de São Paulo, que experimentou o simulador. “É uma experiência bem diferente. Não temos nada parecido com isso, nem mesmo durante a faculdade de medicina”, disse ele. O projeto, criado e desenvolvimento pela companhia Biogen Idec, está percorrendo os Estados Unidos. Nesta semana, foi levado à Reunião Anual da Academia Americana de Neurologia, em Chicago. “Acreditamos que é muito importante levar essa experiência para os médicos, para que eles vejam a doença de um jeito novo, entendam como isso afeta o dia-a-dia das pessoas”, disse o diretor da empresa, José Juves. Família experimenta A simulação também já foi levada para quatro shoppings centers nos Estados Unidos, onde atraiu a atenção dos americanos. “Pacientes levaram seus familiares, fizeram-nos experimentar. E, na hora que eles saíam, diziam: ‘Nossa, agora sim eu entendo o que você passa’”, conta a gerente da Biogen Idec, Shannon Altimari. O simulador, na verdade, é um equipamento bastante simples. Consta de uma esteira, como aquelas de academia, luvas especiais, fones de ouvido e uma tela de televisão. A esteira reproduz a dificuldade de movimento dos pacientes de esclerose – de acordo com Finkelszten, um desequilíbrio muito parecido com o da labirintite. As luvas tiram a sensibilidade e causam formigamento na ponta dos dedos. Os fones abafam os ruídos e a tela reproduz a visão de um portador durante uma crise. Além disso, há um aquecedor, que mostra como são os “calores” que os pacientes sofrem.

Cientistas britânicos testam ímã para tratar câncer


Nova técnica de terapia testada em ratos seria alternativa à radioterapia.




Pesquisadores da Grã-Bretanha afirmam ter descoberto uma forma de tratar tumores malignos usando pequenos ímãs.

Os pesquisadores das universidades de Sheffield, Keele e Nottingham afirmam que a inovação pode servir como alternativa mais eficiente para o tratamento de tumores.

A pesquisa foi publicada nesta semana na revista científica Gene Therapy.

A atual técnica de terapia genética insere genes dentro de células cancerosas, com o objetivo de matar os tumores. A terapia genética é usada como alternativa à tratamentos convencionais como radioterapia.

Ímãs escolares

Um dos principais problemas desta técnica é conseguir inserir o gene anticâncer nos tumores.

Para contornar o problema, os cientistas britânicos retiraram glóbulos brancos de ratos cancerosos e os carregaram com ímãs minúsculos.

Os glóbulos brancos foram injetados novamente nos ratos. Um ímã maior foi usado para atrair os glóbulos imantados para a região do tumor.

"Tudo que temos que fazer é passar os ímãs - o tipo de ímã que as crianças usam em escolas - no lado de fora do tumor. Isso cria um campo magnético ao redor e através do tumor, e é suficiente para puxar esses glóbulos brancos imantados para a massa do tumor", afirma a pesquisadora Claire Lewis, da Universidade de Sheffield, que liderou o trabalho.

Lewis acredita que a técnica força os genes anticâncer a entrarem mais profundamente no tumor, aumentando as chances de sucesso nos tratamentos.

Como a técnica envolve a utilização de glóbulos brancos dos próprios pacientes, ela acredita que os riscos de uma reação adversa do sistema imunológico do corpo são reduzidos.

Um caso famoso de reação deste tipo aconteceu em 1999, quando a terapia genética foi usada para tratar um distúrbio de metabolismo raro. O tratamento acabou matando um jovem de 18 anos.

Em outros casos de aplicação da terapia, crianças desenvolveram leucemia em decorrência do tratamento.

Apesar destes fracassos, muitos cientistas acreditam que a terapia genética é o futuro no tratamento contra câncer.

Cientista reconstitui 'voz' do homem de Neandertal


Antropólogo cria modelo em computador de como seria o aparelho vocal do hominídeo.


Um antropólogo criou com um computador um modelo que reconstitui o aparelho vocal do homem de Neandertal para simular sua voz. O trabalho foi divulgado nesta semana pela revista "New Scientist".

Robert McCarthy, da Universidade Atlântica da Flórida em Boca Raton, nos Estados Unidos, trabalhou a partir de fósseis franceses que datam de 50 mil anos atrás.

Os neandertais, que pertencem ao mesmo gênero que o Homo sapiens, teriam sido extintos da Terra há cerca de 30 mil anos.

Nos anos 1970, uma equipe de cientistas da Universidade Brown, nos Estados Unidos, conseguiu calcular as dimensões da laringe do homem de Neandertal com base no tamanho de um fóssil de crânio.

Alguns cientistas criticaram o trabalho da Universidade Brown e sugeriram que os cálculos estavam errados. Apesar disso, McCarthy usou o estudo para basear sua simulação. Ele fez três reconstituições diferentes.

Os modelos de McCarthy tentam, pela primeira vez, dar uma indicação de como o homem de Neandertal falava.

O estudo concluiu que o homem de Neandertal não seria capaz de falar com a mesma sofisticação dos homens modernos.

O antropólogo afirma que o hominídeo não possuía alguns sons de vogais característicos da fala moderna.

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