BuscaPé, líder em comparação de preços na América Latina
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segunda-feira, 30 de junho de 2008

Remédio criado a partir de fungo consegue matar câncer de fome

Um novo remédio, criado a partir de um fungo que contaminou acidentalmente um experimento, pode se mostrar eficaz contra um espectro amplo de tumores, afirmam cientistas. Batizada de lodamina, a droga foi aperfeiçoada em um dos últimos trabalhos de Judah Folkman, um dos maiores especialistas em câncer do mundo, que morreu em janeiro passado. Folkman foi o pioneiro da chamada antiangiogênese -- uma estratégia que consiste em matar os tumores de fome, acabando com os vasos sangüíneos que os alimentam.

A lodamina é um inibidor de angiogênese (formação de vasos sangüíneos) que a equipe de Folkman está tentando melhorar há 20 anos. Num artigo na revista científica "Nature Biotechnology", os colegas do falecido pesquisador dizem ter criado uma formulação que pode ser tomada como uma pílula, sem efeitos colaterais. A descoberta já está licenciada para uma empresa de biotecnologia dos EUA.

Testes em camundongos mostraram que o medicamento funciona contra tumores de mama, neuroblastomas, cânceres de ovário, de próstata, de útero e tumores cerebrais conhecidos como glioblastomas. Segundo Ofra Benny e seus colegas do Hospital Pediátrico de Boston e da Escola Médica de Harvard, a droga deteve os chamados tumores primários (os primeiros a aparecer num dado organismo) e também impediu que a doença se espalhasse para outros focos no corpo.

"Ao ser administrada oralmente, ela atinge primeiro o fígado, o que a torna especialmente eficaz na prevenção de metástases [formas secundárias do tumor] hepáticas em camundongos", escrevem os pesquisadores em seu artigo. "As metástases no fígado são muito comuns em muitos tipos de tumor e costumam estar associadas a um prognóstico ruim e a uma baixa taxa de sobrevivência", acrescentaram eles.

"Quando examinei os fígados dos camundongos, o grupo tratado estava quase limpo", disse Benny em comunicado oficial. "No grupo controle, era impossível reconhecer os fígados -- eles tinham virado uma massa de tumores."

A droga foi isolada originalmente de um fungo chamado Aspergillus fumigatus fresenius. Donald Ingber, da Universidade Harvard, descobriu o fungo por acidente ao tentar cultivar células endoteliais, que revestem a parede dos vasos sangüíneos. O bolor afetou as células de modo a impedir o crescimento de pequenos vasos conhecidos como capilares. Os pesquisadores logo perceberam o potencial antiangiogênico da substância por trás do fenômeno, mas a molécula tinha efeitos colaterais, causando depressão e tonturas. Além disso, não permanecia muito tempo no organismo.

Benny e seus colegas resolveram o problema com a ajuda da nanotecnologia, que permite manipular com precisão as características de uma molécula. O grupo "colou" dois grupos de átomos na substância original, protegendo-a dos ácidos do estômago. Com isso, a droga alterada conseguiu chegar diretamente às células tumorais, destruindo-as sem efeitos colaterais aparentes.

Os pesquisadores crêem que a lodamina poderá ser útil contra outras doenças ligadas ao crescimento anormal dos vasos sangüíneos, como a degeneração macular ligada à idade, problema de visão que pode levar à cegueira.

sábado, 28 de junho de 2008

'Invenção' de tocas permitiu primeiro grande salto evolutivo dos animais




Eis um pequeno paradoxo: como descendente de uma longa linhagem de pescadores, aprendi desde cedo a ver as minhocas com um grau extra de respeito. Sem elas, afinal, a quantidade de lambaris do Mogi-Guaçu que eu teria devorado (com cabeça e tudo) ao longo da minha infância seria bem menor. Meu avô materno transformou metade do jardim da minha avó num viveiro para os seus anelídeos e, enquanto escolhia as melhores candidatas a isca, costumava relembrar a importância dos bichinhos para a fertilidade do solo, ao torná-lo mais arejado e mais rico em matéria orgânica.

Meu avô certamente não sabia, mas as primeiras observações científicas sobre esse papel ecológico fundamental das minhocas vieram de Charles Darwin, o pai da teoria da seleção natural, no último livro que o sábio de Down publicou na vida: Sobre a Formação de Montículos Vegetais por Meio da Ação de Minhocas, com Observações sobre seus Hábitos. (Livros do século 19 ainda não tinham incorporado o conceito “título curto vende mais”.) O próprio Darwin ficaria surpreso ao ver seus estudos minhoquísticos aplicados a um dos maiores mistérios evolutivos da sua (e da nossa) época, a chamada Explosão Cambriana. Uma hipótese intrigante propõe que esse evento, provavelmente a maior expansão de diversidade da história da vida animal, teria se dado por obra e graça de bichinhos como as minhocas, que inventaram... as tocas escavadas. A variedade estonteante de vertebrados, insetos, moluscos e crustáceos que vemos por aí hoje seria, em grande parte, conseqüência dessa “tecnologia” rudimentar.

Antes de explicar por que essa proposta aparentemente doida até faz sentido, vale a pena deixar um pouco mais clara a enormidade da Explosão Cambriana. Embora os paleontólogos tenham alguns problemas para datar o evento com precisão, é possível dizer, grosso modo, que ele se estendeu entre 540 milhões e 530 milhões de anos atrás, durante o período Cambriano (daí o nome). A palavra “explosão” também indica um evento relativamente repentino diante do passo em geral modorrento seguido pela evolução dos seres vivos.

Não é que não existissem animais antes da Explosão Cambriana. Fósseis com até 600 milhões de anos de idade documentam a existência de criaturas vagamente parecidas com corais, águas-vivas ou anêmonas modernas, ou outros seres ainda mais estranhos, sem analogia nenhuma com o que existe hoje. O que acontece é que, durante a explosão, todos os tipos “básicos” de animais modernos foram “inventados” (de forma, é claro, inconsciente e guiada pela seleção natural) em poucos milhões de anos.

Antes dela, não havia artrópodes (insetos, crustáceos, aracnídeos); depois havia. Não havia cordados (o grupo mais amplo que inclui a nós, os vertebrados); depois havia. E, de quebra, surgiram criaturas ainda mais estranhas e inclassificáveis, membros de grupos de vida curta que só teriam florescido na Explosão Cambriana. (Na imagem que abre esta coluna, você pode ver o Anomalocaris, que pode ter sido um protocrustáceo ou um desses bichos inclassificáveis. Abaixo, temos o Pikaia, aparentemente um ancestral dos cordados, ou seja, nosso vovô.)





Diferença ecológica
Há mais uma diferença importante entre os mundos pré-explosão e pós-explosão. Trata-se da variedade de tamanhos e papéis ecológicos (grandes predadores, pequenos predadores, herbívoros e carniceiros, entre outros) que a reviravolta evolutiva trouxe. Isso levou vários paleontólogos a postular que o “gatilho” do evento teria sido a invenção da caça, por assim dizer. Quando alguns animais primitivos aprenderam a devorar ativamente seus competidores, outros responderam criando armaduras (como a casca dos crustáceos), que foram contra-atacadas com mecanismos sofisticados como mandíbulas e apêndices de agressão – uma espiral de golpes e contragolpes suficiente para estimular a diversidade de formas, na plenitude do tempo.

Essa idéia explica, ao menos em parte, o que aconteceu, mas pode ser que ela deixe de lado outra mudança importante na maneira como os seres vivos passaram a interagir durante o Cambriano. É o que afirmam Filip Meysman e seus colegas do Instituto de Ecologia da Holanda em artigo na revista científica “Trends in Ecology and Evolution”. O “elo perdido” da Explosão Cambriana poderia ser, segundo eles, a chamada bioturbação – a alteração nos sedimentos do solo terrestre ou marinho causada por bichos que cavam tocas e abrem trilhas, como as minhocas.

Meysman e companhia traçam uma comparação interessante entre o fundo do mar pré-explosão e o pós-explosão. (Nessa época, a vida não-microscópica ainda mal tinha começado a colonizar a terra firme, de forma que o oceano é o que nos interessa mesmo.) Antes da Explosão Cambriana, os poucos e estranhos seres vivos marinhos viviam em comunidades estratificadas, com pouca comunicação entre uma camada e outra do oceano. O solo marinho, em especial, era dominado por “cobertores” de microrganismos, um em cima do outro – cada um deles com um metabolismo específico, sem grande transporte de nutrientes e oxigênio entre as camadas.

Ora, organismos bioturbadores, como vermes, minhocas e afins, colocariam em polvorosa essa estratificação primeva. De repente, começaria a haver uma distribuição muito mais ampla de nutrientes ao longo da camada de sedimento, desde as regiões mais rasas, nas praias inundadas pelas marés, até pedaços mais profundos dos ecossistemas marinhos. Alguns animais poderiam usar o substrato para escavar esconderijos e fugir dos predadores primordiais; esses mesmos caçadores teriam, agora, incentivo para fuçar o leito marinho em busca das presas fujonas.

Outras criaturas, finalmente, poderiam até “comer” a matéria orgânica distribuída de forma heterogênea pelo sedimento, um novo modo de vida que aumentaria ainda mais a diversidade espacial e de nutrientes naquele solo. O resultado combinado de todo esse fuça-fuça e escava-escava seria um ambiente muito mais interessante e diversificado do que a monótona sucessão de camadas que existia antes. Surgiria uma estrutura espacial heterogênea, com micronichos ecológicos abertos à exploração de novas espécies, maior presença de oxigênio (já que a água circularia com freqüência por ali) e, no todo, mais potencial para a vida.

Menos mistério
Se esse ponto de vista estiver correto, o mistério que ainda cerca a Explosão Cambriana fica um pouco menos misterioso. Afinal, o surgimento de uma diversidade de animais sem precedentes teria uma correlação direta com o aparecimento de um ambiente – heterogêneo e cheio de oportunidades, graças à bioturbação – também sem precedentes na história da Terra. Um fenômeno serviria de combustível para o outro.

Excluindo-se o fim dos tapetes microbianos no leito marinho, que outras evidências diretas temos de que a coisa foi mesmo desse jeito? Um dado curioso é que criaturas vermiformes, ou ao menos o rastro delas no fundo do mar ou em águas rasas, parecem preceder em algumas dezenas de milhões de anos a glória máxima da Explosão Cambriana. Ainda é difícil afirmar com certeza, mas criaturas parecidas com minhocas (cujo grupo, os anelídeos, também está registrado na explosão) talvez tenham estado entre os mais antigos animais, cavando, remexendo sedimentos e, sem saber, abrindo caminho para nós.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Colisão na infância definiu o futuro do planeta Marte, dizem cientistas




Marte nunca foi um planeta de muita sorte mesmo. Mas um episódio em particular no princípio de sua história pode ter marcado para sempre o destino daquele mundo. Cientistas acabam de confirmar que o planeta vermelho foi vítima de um impacto gigantesco -- de deixar aquele que matou os dinossauros no chinelo -- há cerca de 4 bilhões de anos.

A pancada deixou uma "cicatriz" imensa na superfície marciana, que só agora foi propriamente identificada pelos pesquisadores, de tão grande que era. É uma elipse de 10 mil quilômetros de largura, que só não foi identificada antes porque estava parcialmente camuflada pelo surgimento dos grandes vulcões marcianos por cima dela, numa etapa posterior da história do planeta.

A configuração da superfície marciana, na verdade, sempre foi um mistério. Os cientistas passaram muito tempo intrigados com a grande diferença de topografia dos hemisférios Norte e Sul do planeta. Enquanto o Norte parece liso, com a crosta mais fina, o Sul era muito mais acidentado, e a crosta muito mais espessa.

Mapeando essa diferença da forma mais acurada possível, o grupo de Jeffrey Andrews-Hanna, do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), acaba de identificar a elipse-cicatriz e desfazer o mistério: o hemisfério Norte marciano foi vítima de um impacto gigante.

A pancada, do que se sabe nessa região do Sistema Solar, é a segunda maior de que se tem notícia. Maior que essa, só mesmo a que envolveu a Terra, no comecinho de sua história, quando um objeto mais ou menos do tamanho de Marte colidiu com o planeta em formação, dando origem à Lua. Mas a megapancada marciana foi a única que deixou traços na superfície para que identificássemos corretamente. "Impactos maiores certamente ocorreram, mas eles não deixaram crateras para trás", disse ao G1 Andrews-Hanna. "O impacto que formou a Lua deve ter derretido a maior parte da porção externa da Terra, deixando para trás o que chamamos de 'oceano de magma' cobrindo a superfície."

Andrews-Hanna indica que a elipse gigante de Marte -- batizada de bacia Borealis -- é a maior cicatriz de impacto já observada, quatro vezes maior que suas concorrentes principais (as bacias Hellas e Utopia, em Marte, e Aitken, na Lua).

Os resultados do grupo de Andrews-Hanna foram publicados na edição desta semana do periódico científico "Nature". Também foram divulgados dois outros estudos, um vindo do Caltech (Instituto de Tecnologia da Califórnia) e outro da Universidade da califórnia em Santa Cruz.

O primeiro, comandado por Margarita Marinova, investigou em que condições um impacto desses pode ter produzido a cicatriz deixada em Marte. "Com base na simulações de Marinova e seus colegas, o objeto que atingiu o planeta devia ter um diâmetro de cerca de 2.000 km -- eles dão uma faixa que vai de 1.600 a 2.700 km", afirma Andrews-Hanna.

O segundo, liderado por Francis Nimmo, modelou os resultados do impacto sobre a superfície de Marte, incluindo efeitos causados sobre o hemisfério que não foi atingido pela pancada cósmica.

Para os cientistas, é muito importante identificar esse que é o primeiro episódio registrado da vida do planeta vermelho. "Na verdade, tudo que está preservado no registro geológico de Marte é mais novo que esse impacto", diz Andrews-Hanna. "Não temos meio de saber como era o planeta antes do impacto, mas é certo que um evento dessa magnitude teria afetado todos os aspectos da evolução subseqüente de Marte, incluindo clima e atmosfera. Esse foi provavelmente o evento definidor para produzir o planeta Marte que conhecemos hoje."

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Eclipse do Sol pode revelar data da 'Odisséia' de Homero, dizem astrônomos



Em 16 de abril do ano 1178 antes de Cristo, depois de passar quase duas décadas lutando em terras estrangeiras e vagando pelos mares, um rei chamado Odisseu (ou Ulisses, como seria mais conhecido) finalmente voltou para casa. Ao lado de seu jovem filho, massacrou os nobres que estavam tentando usurpar seu trono e pôde passar uma longa noite de amor com a esposa, Penélope. A descrição do que aconteceu naquele dia é do poeta grego Homero, no épico "A Odisséia", mas a data incrivelmente precisa para o retorno de Odisseu/Ulisses está sendo proposta por uma dupla de astrônomos. Eles dizem que há uma correlação surpreendente entre a história narrada por Homero e um eclipse do Sol espetacular em 1178 a.C.

A tese, aparentemente amalucada mas indiscutivelmente fascinante, está sendo apresentada por Constantino Baikouzis, do Observatório Astronômico de La Plata (Argentina), e Marcelo Magnasco, da Universidade Rockefeller (EUA), na edição desta semana da revista científica americana. Se a dupla estiver correta (e até os dois admitem que a idéia é um tanto mirabolante), seria possível até datar o fim da guerra de Tróia com precisão: os troianos teriam sido derrotados pelos gregos em 1188 a.C., uma vez que o herói levou dez anos para voltar para casa.

Verdade seja dita, Baikouzis e Magnasco não tiraram a hipótese da cartola. A idéia de que a volta para casa do grego Odisseu (também chamado pelo nome latino Ulisses) foi acompanhada de um eclipse solar total foi levantada pela primeira vez nos anos 1920. Na época, pesquisadores associaram o eclipse que aconteceu ao meio-dia de 16 de abril de 1178 a.C. a uma descrição poética num dos versos da "Odisséia".

O contexto da descrição é uma espécie de profecia agourenta feita pelo vidente Teoclímeno. O adivinho faz a previsão para os nobres de Ítaca (a ilha governada por Odisseu) que estão cortejando há anos a fiel esposa do guerreiro grego. Embora Odisseu esteja fora de casa há quase 20 anos, Penélope acha que ele ainda está vivo, e fica enrolando os pretendentes. Teoclímeno, o vidente, diz aos nobres de Ítaca que a coisa logo ficará feia para o lado deles: "O Sol foi exterminado do céu, e uma escuridão agourenta invade o mundo".

Os antigos defensores da tese de um eclipse real viram justamente essa descrição como uma referência ao evento celeste. E propuseram a data de 16 de abril de 1178 a.C. por ser o único eclipse total do Sol visível na costa oeste da Grécia (região onde ficava o reino de Ítaca) por volta da época tradicionalmente associada com a guerra de Tróia, ou seja, o fim do século 13 a.C. Muita gente, no entanto, criticava essa posição, avaliando que a profecia de Teoclímeno era apenas uma referência poética à morte dos pretendentes.

No entanto, Baikouzis e Magnasco decidiram fazer uma análise mais detalhada, levando em conta todas as indicações astronômicas e de calendário na "Odisséia", em especial nos dias do poema que antecedem a chegada de Odisseu a Ítaca. O interessante é que, com base nos versos de Homero, é possível traçar uma cronologia da jornada do herói pelo Mediterrâneo.

Contando os dias que levam para a viagem de Odisseu e associando-os a dados astronômicos, dá para estimar quando a jornada teria acontecido. Ao navegar rumo a Ítaca saindo da ilha de Ogígia, lar de sua amante, a bela ninfa Calipso, Odisseu se guia pelas estrelas, de olho em três constelações: as Plêiades, o Boieiro e a Ursa Maior. O poeta também diz que a constelação do Boieiro "se põe tarde" no céu -- o que significa que a partida da ilha de Ogígia aconteceu em março.

Outras indicações envolvem a chegada do herói a Ítaca durante uma lua nova e, o que é mais duvidoso, uma inversão aparente no movimento do planeta Mercúrio. (Nesse último caso, os astrônomos acreditam que uma menção a uma viagem do deus Hermes, equivalente a Mercúrio entre os gregos, pode ser interpretada como uma alegoria do movimento do planeta.)

Por coincidência ou não, quando os pesquisadores computaram todos esses dados e rodaram programas de computador capazes de simular o céu da época de Ulisses, a data fatídica reapareceu: 16 de abril de 1178 a.C. Se eles estiverem corretos, Odisseu presenciou um espetáculo raro da natureza: nesse eclipse, todos os planetas visíveis a olho nu (Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno), a Lua e o Sol eclipsado seriam vistos juntos no céu.

Os cálculos dos pesquisadores parecem bater perfeitamente, mas é claro que uma série de problemas ainda têm de ser resolvidos para provar a hipótese. O mais sério de todos é saber como o dado preciso da data chegou a Homero. Afinal, acredita-se que o poeta tenha vivido uns 400 anos depois dos eventos narrados na Odisséia -- se é que esses eventos

terça-feira, 24 de junho de 2008

Substância presente na maconha pode virar antiinflamatório, mostra estudo


Testes com camundongos mostraram efeitos positivos de componente de óleos essenciais. Molécula atua sobre receptores CB2, alvos naturais da planta no organismo humano.

A molécula não tem absolutamente nada a ver com os efeitos psicoativos da maconha, mas também pode ser derivada da Cannabis sativa e, se tudo der certo, deve virar uma nova e potente opção para tratar problemas inflamatórios. É o que relata um grupo de pesquisadores europeus e americanos na edição desta semana da revista científica.

A substância em questão é o beta-cariofileno (BCP, para encurtar), um componente muito comum dos óleos essenciais das plantas. A molécula aparece em condimentos comuns, como o orégano, a pimenta-do-reino e a canela, além de responder por 35% dos óleos essenciais da maconha, é claro. Daí o interesse dos pesquisadores, liderados por Jürg Gertsch, do Instituto Federal Suíço de Tecnologia, em estudar o beta-cariofileno.

Não se trata de algum interesse oculto para legalizar a droga. O que acontece é que a maconha interage de forma específica com uma série de receptores, ou "fechaduras químicas", do organismo humano, conhecidos pelas siglas CB1 e CB2 e pelo nome coletivo de "sistema endocanabinóide". É como se o corpo produzisse sua própria "maconha interna", que serve a uma série de funções importantes no sistema nervoso e em outras partes do organismo. O uso da maconha apenas ativa essas mesmas fechaduras químicas -- com uma série de efeitos indesejáveis, é verdade.

Os mecanismos psicoativos da maconha, bem como os ligados à regulação do apetite, ativam os receptores CB1. Já o beta-cariofileno tem efeitos -- um bocado positivos -- sobre os receptores CB2, cujo funcionamento em geral não tem relação com o sistema nervoso. Em experimentos com camundongos, os pesquisadores comprovaram que a molécula tem potente efeito antiinflamatório, e que esse efeito está diretamente relacionado aos receptores CB2. Camundongos geneticamente modificados não são afetados pela substância.

A equipe diz que é preciso caracterizar melhor a atuação do beta-cariofileno sobre o organismo, mas que ele deve se tornar uma opção promissora para tratar problemas inflamatórios no futuro.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Sonda Phoenix deve ter achado gelo em Marte, afirmam cientistas

Material branco que o aparelho havia fotografado evaporou de trincheira, revelam imagens.
Outros possíveis compostos que explicariam cor não são capazes de fazer isso.

Pode-se dizer que é oficial: após cavar o duro solo do pólo Norte marciano, a sonda robótica Phoenix, da Nasa, encontrou gelo. O anúncio, feito pela agência espacial americana, veio depois que os cientistas notaram o sumiço de uma crosta branca na trincheira aberta pela Phoenix. O veredicto: só pode ter sido água congelada, que sublimou (passou direto do estado sólido para o gasoso) na atmosfera rarefeita de Marte.


"Deve ser gelo", resumiu o cientista-chefe da missão, Peter Smith, da Universidade do Arizona em Tucson (EUA). "Pequenos amontoados de material branco desaparecendo completamente ao longo de uns poucos dias -- isso é uma evidência perfeita de que se trata de gelo. Havia algumas dúvidas, dizia-se que o material branco poderia ser sal também. O sal não é capaz de fazer isso."

A trincheira onde a forma sólida da água foi revelada é chamada de "Dodô-Cachinhos Dourados". O braço robótico da Phoenix a alargou no último dia 15, o vigésimo "sol" (dia marciano) desde o pouso da sonda. Os amontoados do material tinham sumido quando novas imagens foram obtidas nesta quinta (19).

Outras trincheiras também estão revelando uma camada endurecida que pode corresponder a gelo. Os pesquisadores vão continuar o processo, além de enviar em breve à sonda uma correção de seu software de armazenamento de dados.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Cargueiro europeu Jules Verne eleva órbita da Estação Espacial Internacional

Complexo orbital está agora a uma altura de cerca de 345 quilômetros. Astronautas costumam perder cerca de 100 metros de altura ao dia pela gravidade.


O cargueiro espacial europeu Jules Verne elevou nesta quinta-feira (19) em 7 quilômetros a órbita da Estação Espacial Internacional (ISS), com a força de seus motores, informou o Centro de Controle de Vôos Espaciais da Rússia (CCVE).

Os propulsores do cargueiro europeu estiveram acesos durante 1.206 segundos (pouco mais de 20 minutos), disse um porta-voz do CCVE, citado pela agência russa "Interfax".

Ele acrescentou que a ISS, tripulada atualmente pelos russos Serguei Vólkov e Oleg Kononenko e pelo americano Greg Chamitoff, ficou a uma altura de cerca de 345 quilômetros.

Habitualmente, a altura de órbita média do laboratório espacial oscila entre 360 e 330 quilômetros.

O engenho perde entre 100 e 150 metros de altura a cada dia devido à gravitação terrestre, à atividade solar e a outros fatores.

A órbita da plataforma é elevada regularmente vários quilômetros, manobra de correção para a qual, até muito pouco atrás, eram utilizadas naves americanas e russas, e à qual agora se uniu o cargueiro europeu.

O porta-voz do CCVE informou que nos próximos dois meses a órbita da Estação Espacial será objeto de três novas correções.

Com seus propulsores, as naves acopladas à plataforma também podem modificar a orientação da ISS com relação ao sol, sua inclinação em relação ao eixo terrestre, seu período de rotação em torno da Terra e sua velocidade de vôo.

A órbita da plataforma espacial também foi corrigida em várias ocasiões, para evitar possíveis colisões com meteoritos, lixo espacial ou satélites.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Chimpanzés fêmeas copulam em silêncio para evitar competição


Estudo diz que fêmeas só emitem sons durante sexo quando há machos ao redor.

Uma pesquisa conduzida por cientistas escoceses sugere que chimpanzés fêmeas deixam de emitir sons durante a cópula caso outras fêmeas estejam ao redor para evitar competição.

Os chimpanzés são conhecidos por terem um comportamento sexual promíscuo e, segundo os pesquisadores, as fêmeas estão mais preocupadas em manter relações com diversos parceiros do que encontrar o macho mais forte.

Os cientistas da Universidade de St. Andrews, na Escócia, observaram um grupo de chimpanzés que vive na Floresta Budongo, em Uganda, na África, e publicaram os resultados da análise na edição desta semana da revista científica Public Library of Science (PLoS).

De acordo com a pesquisa, as fêmeas emitem mais sons de cópula - barulhos emitido durante as relações sexuais - quando vários machos estão ao redor. No entanto, elas permanecem quietas durante a relação quando há fêmeas ao redor para evitar a competição pelos machos da região.

"A competição entre as fêmeas pode ser muito perigosa nos chimpanzés selvagens. Nossa descoberta ressalta o fato de que as fêmeas usam os sons de cópula como uma tática para reduzir os riscos relacionados a esta competição", disse Simon Townsend, que liderou o estudo.

A função dos sons de cópula nos primatas vem sendo discutida por vários anos.

Uma das principais teorias é que as fêmeas emitiriam sons durante a relação sexual para anunciar a receptividade para os machos. Dessa forma, ela geraria competição entre os machos e poderia escolher o parceiro mais forte para garantir a qualidade de seu filhote.

No entanto, os pesquisadores não encontraram nenhuma prova para apoiar a hipótese de que o som estimularia a competição entre os machos. Além disso, análises dos hormônios das fêmeas indicaram que sua disponibilidade para manter relações não estaria relacionada com seu período fértil, e, portanto, as fêmeas não estariam chamando a atenção dos machos para conceber um filhote.

"As fêmeas observadas na pesquisa parecem muito mais preocupadas em manter relações com vários parceiros diferentes, sem que as outras fêmeas descubram, do que em fazer com que os machos briguem por ela", afirmou Townsend.

De acordo com os cientistas, as fêmeas emitem os sons durante a cópula para atrair o maior número de parceiros possível e, dessa forma, confundir os machos sobre a paternidade de seu filhote. Isso garantiria à fêmea proteção dos machos e reduziria o risco de infanticídio - comum entre os chimpanzés machos, já que eles criaram uma relação com a fêmea e não saberiam com certeza se são ou não pais do filhote.

Segundo os pesquisadores, chimpanzés fêmeas são expostas a forte pressão social entre outros membros do grupo, principalmente quando os recursos são escassos.

"Nesse contexto, confundir os machos com relação à paternidade, principalmente entre os machos mais importantes, tem duas vantagens. Primeiro, reduz a probabilidade de que os machos irão atacar os filhotes, potencialmente seus. Segundo, pode ajudar a melhorar a disponibilidade dos machos em apoiar a fêmea, até mesmo em brigas com outras fêmeas", diz o estudo.

De acordo com os cientistas, as descobertas são "mais um indício das sofisticadas capacidades mentais e inteligência social dos parentes vivos mais próximos da espécie humana".

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Cientistas descobrem sistema planetário com três superterras

Equipe européia revela novos resultados com instrumento instalado no Chile. Avaliação inicial sugere que pelo menos 1 em 3 estrelas tem planetas rochosos.


A estrela HD 40307 não parecia nada especial, um pouco menor, mas bastante parecida com o Sol. Mas, ao observá-la, um grupo de pesquisadores europeus descobriu três planetas ao seu redor -- todos eles aparentemente similares à Terra no que diz respeito à composição.



O achado é parte de um censo maior que, segundo a equipe liderada por Michel Mayor, do Observatório de Genebra, confirma: a cada três estrelas similares ao Sol, pelo menos uma tem planetas rochosos, como a Terra.

"Será que todas as estrelas abrigam planetas e, se for assim, quantos?", pergunta-se Mayor. "Nós podemos ainda não saber a resposta, mas estamos fazendo grandes progressos."

O segredo do sucesso da pesquisa é o instrumento Harps, do Observatório de La Silla, no Chile -- parte do complexo do ESO (Observatório Europeu do Sul). Ele é capaz de detectar mínimas variações no movimento das estrelas -- o sinal de que há um planeta ao seu redor.

Foi com esse instrumento que o mesmo grupo encontrou, em abril de 2007, o primeiro planeta potencialmente habitável -- um astro rochoso, localizado a uma distância da estrela que permite a existência de água líquida em sua superfície.

Todos os planetas rochosos (também ditos terrestres) até agora descobertos não são exatamente iguais aos que existem em nosso Sistema Solar (Mercúrio, Vênus, Terra e Marte); por uma limitação tecnológica, só se pode encontrar astros com massa superior a duas vezes a da Terra, e por aqui não há nenhum planeta rochoso maior que o nosso.

Essa nova categoria de planetas, que não se encaixa nem nos terrestres do Sistema Solar, nem nos gigantes gasosos, foi apelidada pelos cientistas de "superterra".

As três superterras ao redor de HD 40307, localizada a 42 anos-luz de distância, têm 4,2, 6,7 e 9,4 vezes a massa da Terra. Eles giram ao redor da estrela em 4,3, 9,6 e 20,4 dias terrestres, respectivamente.

Os resultados foram apresentados numa conferência realizada em Nantes, na França. Nela, os cientistas também anunciaram a descoberta de dois outros sistemas planetários -- um com uma superterra (7,5 massas terrestres) que orbita a estrela HD 181433 em 9,5 dias e é vizinho de um gigante gasoso como Júpiter, que completa uma volta em cerca de três anos.

O outro sistema contém um planeta com 22 massas terrestres e órbita de quatro dias, acompanhado por um planeta como Saturno com um período de três anos.

sábado, 14 de junho de 2008

Homem exterminou espécie de foca que vivia no Caribe, confirmam cientistas

Foca-monge-caribenha foi declarada extinta por órgão de pesquisa marinha dos EUA. Animal é a primeira foca a desaparecer pela ação humana; caça foi indiscriminada.



Infelizmente, é oficial: cientistas americanos confirmaram a primeira extinção de uma espécie de foca causada pela ação humana. Após uma busca de cinco anos, o Serviço de Pesca do Noaa, órgão dos EUA que administra os oceanos, declarou extinta a foca-monge-caribenha (Monachus tropicalis), que não era avistada desde 1952.
Animais dóceis e lentos, as focas-monges-caribenhas foram caçadas de forma desenfreada enquanto descansavam, davam à luz ou amamentavam seus filhotes na praia. Membros da espécie foram vistos pela última vez em 1952, num banco de areia do mar do Caribe, entre a Jamaica e a península do Yucatán.



Buscas pela espécie ocorreram durante os anos 1960 e 1970, mas só outros tipos de focas foram localizadas na região que correspondia ao habitat da foca-monge-caribenha. A situação das outras focas-monges, membros do gênero Monachus tal como a espécie desaparecida, também não é das melhores. Tanto a espécie do Mediterrâneo quanto a do Havaí correm sério risco, com populações de 500 e 1.200 indivíduos, respectivamente.


A espécie foi descoberta por Cristóvão Colombo em sua segunda viagem à América, em 1494, e já foi caçada nesse primeiro encontro (oito animais foram abatidos pelos marinheiros do navegador). Do século 18 ao 20, o animal foi explorado como fonte de alimento e principalmente para obter sua banha, usada para iluminação e lubrificação.

Como a espécie vivia entre 20 e 30 anos, pode ser que alguns indivíduos tenham chegado até os anos 1970 antes de finalmente desaparecer.

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Semente mais velha do mundo, com 2.000 anos, dá origem a palmeira saudável


Tâmara plantada em Israel originou-se de semente encontrada na fortaleza de Masada. Planta provavelmente foi deixada lá por soldados por volta do século 1 de nossa era.


Uma semente que sobreviveu ao governo do rei Herodes e a uma batalha sangrenta entre judeus e romanos é a mais antiga a germinar no mundo, afirmam pesquisadores israelenses. Apelidada de "Matusalém", homenageando o mais idoso personagem da Bíblia, a muda de tamareira brotou de um genitor com cerca de 2.000 anos de idade, e pode até ajudar no melhoramento genético das tâmaras modernas, se tudo correr bem.

A história cinematográfica da tamareira Matusalém está na edição desta semana da revista especializada americana "Science". A semente que deu origem à plantinha, hoje com três anos de idade, veio da fortaleza de Masada, perto do mar Morto, no atual estado de Israel. A fortaleza foi construída pouco antes do nascimento de Cristo pelo rei Herodes e, décadas mais tarde, durante a guerra entre romanos e judeus, foi atacada pelo exército de Roma. Nenhum dos defensores judeus sobreviveu ao ataque.

No entanto, escavações arqueológicas nos anos 1960 acharam as tâmaras debaixo dos escombros da fortaleza. Sarah Sallon e seus colegas do Instituto Louis Borick de Medicina Natural, em Jerusalém, conseguiram datar duas das sementes, comprovando que elas tinham cerca de 2.000 anos de idade. Uma terceira semente foi plantada e, aos 15 meses de vida, pedacinhos de sua casca que ainda estavam aderidos à muda também foram datadas. A idade obtida foi cerca de 200 anos mais recente -- o que era de se esperar quando se considera o grau de contaminação com carbono mais recente, absorvido do ar e do solo durante o crescimento da plantinha.

Calor e secura

Os pesquisadores dizem acreditar que o clima único da região do mar Morto, extremamente quente e seco, ajudou na preservação da semente de Matusalém. A saúde da mudinha parece muito boa, com exceção de algumas manchas brancas nas folhas -- provavelmente ligadas a uma falta de nutrientes na semente. O grupo também aproveitou para fazer uma análise genética da tamareira, comparando-a com plantas atuais da mesma espécie, oriundas do Egito, do Marrocos e do Iraque.

A surpresa é a semelhança genética relativamente baixa entre a planta-Matusalém e as atuais -- provavelmente porque as modernas são plantadas de forma clonal, sem cruzamento entre os indivíduos. Se Matusalém produzir frutos, seu DNA poderá trazer "sangue novo" (ou seria sangue velho?) às tamareiras modernas, já que os judeus da época de Jesus tinham desenvolvido plantações de alta qualidade da espécie.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Após rebaixamento, Plutão batiza nova classe de corpos celestes: plutóides

Ele foi rebaixado ao deixar de ser planeta, mas Plutão agora vai dar nome à nova classe de corpos celestes de seu tipo. Os "planetas anões" como ele passarão a se chamar "plutóides".

Plutão deixou de ser considerado um planeta em agosto de 2006 durante reunião da União Astronômica Mundial. Mais tarde, em junho de 2007, os astrônomos descobriram que ele sequer era o maior dos planetas anões. O vizinho Éris (antigamente apelidado de "Xena") é maior que ele.

Planetas anões na região agora receberão denominação em homenagem ao ex-planeta. Plutão foi 'rebaixado' após decisão da União Astronômica Mundial em 2006.


Ele foi rebaixado ao deixar de ser planeta, mas Plutão agora vai dar nome à nova classe de corpos celestes de seu tipo. Os "planetas anões" como ele passarão a se chamar "plutóides".

Plutão deixou de ser considerado um planeta em agosto de 2006 durante reunião da União Astronômica Mundial. Mais tarde, em junho de 2007, os astrônomos descobriram que ele sequer era o maior dos planetas anões. O vizinho Éris (antigamente apelidado de "Xena") é maior que ele.

Agora, os astrônomos aprovaram uma compensação a tanto rebaixamento e resolveram chamar toda essa categoria de "plutóides". A definição diz que plutóides são corpos celestes em órbita do Sol, mais distantes que Netuno, que têm massa suficiente para sua gravidade criar uma forma quase esférica e que não conseguiram limpar a vizinhança em torno de sua órbita.

Com isso, o planeta anão Ceres não terá direito à nova nomenclatura, uma vez que ele fica no cinturão de asteróides entre Marte e Júpiter -- os cientistas acreditam que ele é o único de seu tipo. Até agora, apenas Plutão e Éris preenchem esses requisitos. Os especialistas acreditam que mais plutóides serão encontrados no futuro.

terça-feira, 10 de junho de 2008

Macacos da Indonésia aprenderam a pescar, afirmam primatólogos

Bandos de cinomolgos, parentes dos macacos resos, capturam peixinhos com as mãos. Comportamento inusitado entre primatas mostra como a espécie pode ser adaptável.

Os cinomolgos (Macaca fascicularis), macacos do Sudeste Asiático primos dos resos, são famosos por conseguir comida de todos os jeitos imagináveis, pegando frutas de árvores da floresta ou mesmo roubando bananas das mãos de turistas desavisados. Agora, pesquisadores dizem ter descoberto que grupos da espécie também conseguem pescar.



Certos bandos de cinomolgos foram vistos quatro vezes nos últimos oito anos pegando peixes pequenos com as mãos e comendo-os ao longo de rios de duas províncias da Indonésia, Kalimantan Oriental e Sumatra Setentrional, de acordo com pesquisadores das ONGs The Nature Conservancy e Great Ape Trust. É a primeira vez que o comportamento é observado.

"É muito emocionante, e uma indicação de como sabemos pouco sobre a espécie", disse Erik Meijaard, co-autor de um estudo sobre os macacos pescadores na última edição da revista científica "International Journal of Primatology. Meijaard, da The Nature Conservancy, diz que não está claro o que levou os cinomolgos a virarem pescadores, mas que o comportamento mostra um lado dos macacos que é bem conhecido entre os pesquisadores. Trata-se da capacidade de se adaptar a mudanças no ambiente e mudar suas fontes de alimento.

"Eles são sobreviventes, conseguem se virar em condições difíceis. Esse comportamento provavelmente simboliza essa flexibilidade ecológica", afirma ele.

domingo, 8 de junho de 2008

Caminhada espacial do Discovery termina com sucesso

Dupla de astronautas trabalhou no espaço por cerca de seis horas e meia. Mike Fossum e Ron Garan instalaram equipamento de TV, entre outras atividades.

Os astronautas Mike Fossum e Ron Garan, da nave americana Discovery, terminaram com sucesso a terceira e última caminhada espacial da atual missão da Nasa. A dupla iniciou os trabalhos no exterior da Estação Espacial Internacional (ISS) às 10h55 (horário de Brasília) deste domingo (8) e encerrou a missão às 17h28. A tarefa durou seis horas e 33 minutos.



Nas duas saídas anteriores, os dois instalaram o laboratório japonês Kibo e fizeram manutenção do complexo orbital.

Desta vez, os dois substituíram um tanque de nitrogênio, instalaram equipamento de TV e removeram a cobertura térmica do braço robótico do Kibo.

Os dois receberam ajuda do astronauta japonês Akihiko Hoshide e da americana Karen Nyberg, que controlam o braço robótico da própria ISS.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Novo microscópio em 3D fotografa e filma detalhes das células vivas


Aparelho criado por equipe internacional dribla limitações de aparelhos convencionais. Segundo pesquisadores, sistema não complica procedimentos de laboratório.

Numa época em que os cientistas conseguem examinar os componentes mais minúsculos da matéria, as pessoas às vezes esquecem que não dá para ver uma série de detalhes das células vivas. Ou melhor, não dava: uma nova forma de usar os microscópios tradicionais, apresentada nesta semana à comunidade científica e ao público, promete trazer detalhes em 3D de estruturas celulares minúsculas, mas um bocado relevantes.

A prova de princípio do sistema, que leva o nome de microscopia de iluminação estruturada em 3D, está na edição desta semana da revista especializada americana “science”. O trabalho é uma colaboração entre cientistas alemães e americanos, capitaneada por Lothar Schermelleh, do Departamento de Biologia da Universidade Ludwig Maximilians de Munique.

Pouca gente sabe, mas o que chamamos vagamente de "microscopia eletrônica" é um método altamente antinatural de enxergar estruturas vivas. "Vivas", aliás, é modo de dizer: os métodos empregados pelos microscópios com resolução altíssima exigem que as células examinadas sejam mortas de forma violenta e "congeladas" para que seja possível dar uma olhada nelas. É que a chamada microscopia óptica, a única que nos permite ver células vivas, tem sua resolução limitada pelo comprimento das ondas de luz visível, que vai de 400 a 700 nanômetros (um nanômetro equivale a um bilionésimo de metro). Qualquer estrutura menor que isso fica cada vez mais difícil de "enxergar".

O que o grupo internacional fez foi iluminar as amostras de células -- devidamente realçadas com corantes especiais -- com feixes múltiplos de luz. O truque faz com que as ondas luminosas "interfiram" entre si (reforçando-se ou contrapondo-se, graças à variação de "cristas" e "vales" das ondas), de forma a permitir uma resolução abaixo do limite normalmente imposto pela natureza da luz visível. Não é mágica -- é só um jeito de explorar uma propriedade natural das ondas luminosas.

O resultado parece ter compensado. A mesma estrutura -- no caso, os poros do núcleo de células de camundongos e os cromossomos no interior delas --, que seria vista como um borrão quase indistinto pelos métodos tradicionais, aparece de forma clara, com sensação de profundidade, no trabalho dos pesquisadores, como você pode confirar no vídeo acima. Eles afirmam que seria possível adaptar a tecnologia, de modo que usá-la não seria mais complicado do que é empregar um microscópio óptico dos bons hoje.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Vespa manipula lagarta para que ela proteja seus casulos


Inseto força a vítima a se tornar guarda-costas de seus filhotes. Trabalho foi realizado com cooperação entre Brasil e Holanda.


Uma vespa que ataca e mata a lagarta Thyrinteina leucocerae é capaz de manipular o comportamento da vítima, transformando-a em guarda-costas de seus filhotes. O fenômeno, descoberto por pesquisadores brasileiros e holandeses na Universidade Federal de Viçosa (UFV), em Minas Gerais, é descrito em artigo publicado ontem na "Public Library of Science ONE" (PLoS ONE). A vespa, Glyptapanteles sp ., é um parasitóide da lagarta. “Parasitóide é um parasita que acaba matando o hospedeiro”, explica o pesquisador Angelo Pallini, da UFV, que foi o orientador, no Brasil, do holandês Amir Grosman, principal autor do artigo na PLoS ONE. O trabalho nasceu de um convênio entre a instituição brasileira e a Universidade de Amsterdã, e teve participação de estudantes de graduação da UFV.O artigo de Grosman menciona outros casos de parasitas que manipulam o hospedeiro em benefício próprio, como um verme que induz formigas a se agarrarem a folhas de capim para que sejam engolidas por ovelhas, o hospedeiro final do parasita.No caso brasileiro, a lagarta é atacada pela vespa, que põe ovos no corpo da vítima. Os ovos eclodem e, depois de algum tempo, os parasitas deixam o hospedeiro e formam casulos. É aí que o comportamento da lagarta muda: ela assume uma posição fixa perto dos casulos, pára de se alimentar e passa a agredir predadores que se aproximem das jovens vespas. A lagarta morre pouco depois que as vespas adultas emergem dos casulos. As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo".

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Força do pensamento permite caminhada virtual de deficiente físico

Ele só mexe o dedo; atividades cerebrais controlaram movimentos do personagem na tela. Testes foram realizados em laboratório de universidade japonesa.

Um homem de 41 anos que não consegue se movimentar fez uma caminhada no universo virtual usando sensores que registraram as atividades elétricas do cérebro. Ao pensar no movimento, ele controlava o personagem na tela. Em testes realizados no início de maio, no laboratório da Keio University (Yokohama, Japão), ele passeou pelo ambiente de “Second Life” e conversou com outros avatares (habitantes) do programa.



Segundo os pesquisadores envolvidos no projeto, o paciente começou a sofrer de paralisia há mais de 30 anos, por conta de uma doença muscular. Ele consegue apenas movimentar o dedo e, assim, não pode usar o mouse ou teclado.

No experimento, ele vestiu uma espécie de capacete com três eletrodos que monitoram as ondas cerebrais ligadas às mãos e pernas. Apesar de não conseguir movê-las, ele controlou seu personagem imaginando que caminhava. Para conversar com outros habitantes do "Second Life", ele usou um microfone preso ao capacete.
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