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sábado, 17 de maio de 2008

Para primatas pequeninos, vale mais a pena escalar do que andar

Experimento mostrou que bichos pequenos gastam mesma energia subindo ou andando. Já maiores tendem a 'economizar' esforço caminhando; dados têm implicações evolutivas.




Jandy Hanna montou uma academia um tanto esquisita num laboratório da Universidade Duke (EUA). Em vez de gente querendo perder pneuzinhos, quem malhava ali eram alguns dos primatas mais esquisitos do mundo, como os lóris e os lêmures, além do macaco-de-cheiro, velho conhecido de quem vive na Amazônia. O objetivo era entender a capacidade de subir em árvores, uma das características mais marcantes desses primos da humanidade, e o resultado foi surpreendente: escalar não "custa" mais energia do que andar -- principalmente se você não é muito grande.
A pesquisa, que está na edição desta semana da revista especializada americana "Science", mostra que, por outro lado, andar no chão começa a valer a pena conforme o tamanho do primata em questão aumenta. É que, com o tamanho maior, a anatomia do animal compensa o esforço de caminhar com uma necessidade menor de forçar os músculos. Isso quer dizer que, se todo o resto for igual, um primata grandalhão tem mais chances de se adaptar à vida terrestre.
É claro que há exceções a essa regra -- como os orangotangos, que são tão grandes e pesados quanto o ser humano e, mesmo assim, passam a maior parte do tempo no alto das árvores. "Vai haver sempre uma relação custo-benefício", disse Hanna ao G1. "Nesse caso, o gasto de energia ligado à necessidade de escalar pode ser compensado pela presença de frutos muito nutritivos no alto das árvores, ou outros fatores", afirma a pesquisadora americana.





Para chegar aos resultados relatos na "Science", os pesquisadores colocaram os primatinhas -- com tamanho que ia de 150 gramas a quase 1,5 kg -- para escalar uma "corda rolante" no interior de uma câmara especial, ao longo de cerca de meia hora. Durante a tarefa, os cientistas iam medindo a taxa de consumo de oxigênio dos bichos nesse ambiente, o que dá uma medida confiável do esforço que eles estão fazendo.Foi com essa técnica que Hanna e companhia verificaram que escalar exige sempre o mesmo gasto proporcional de energia, independente do tamanho do animal -- provavelmente porque ele está brigando apenas com a força da gravidade. Por outro lado, o gasto energético tendia a diminuir se o tamanho da espécie envolvida aumentava.




Os pesquisadores americanos acham que os resultados podem ter implicações para a própria origem dos primatas. Acontece que os mais antigos membros do nosso grupo, segundo muitos paleontólogos, eram bichos com menos de meio quilo de peso. Com esse tamanho, eles não teriam tido custos metabólicos extras para conseguir colonizar a copa das árvores e buscar frutinhos nos ramos mais finos, facilitando sua diversificação nesse ambiente até hoje.

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